Será o desemprego uma fatalidade ou uma oportunidade?

Após 19 anos de trabalho no mundo corporativo, chegou o dia em que ingressei nas estatísticas do desemprego em Portugal.

O mundo vive das novas tecnologias, mas não está preparado para as novas formas de trabalho, e a minha condição de trabalhadora remota tornou-se desconfortável para a empresa onde eu estava.

Após o primeiro choque (apesar de todos os sinais já indicarem para esse desfecho, foi ainda assim um choque, confesso), há que respirar fundo e enfrentar uma nova realidade.

Não sou desempregada, estou desempregada. É uma condição temporária.

Com este estado de espírito, comecei a pensar no que vou fazer. No que quero fazer, uma vez que o mundo corporativo há muitos anos que não me atrai. Claro que procuro emprego, mas em paralelo estou a construir algo diferente, algo que faça mais sentido para mim.

Ao longo dos anos fui estudando os mais variados assuntos, tendo sempre como pano de fundo quatro temas básicos, à roda dos quais me fui autoeducando:

  • A saúde
  • O bem-estar
  • O ambiente/a natureza
  • O despertar da espiritualidade

Tudo o que fazemos tem impacto na nossa vida, e na vida de quem nos rodeia. Tudo o que fazemos tem impacto no nosso canto, e no mundo inteiro. A nossa Mãe Terra sofre, e a culpa é nossa!!! É nosso dever tratar dela, e fazer a nossa parte.

É meu dever contribuir para uma Terra Melhor. De que forma posso ajudar?

Penso que é imperativo retomarmos as rédeas das nossas vidas, do pré-revolução industrial. Obviamente que não digo que devemos voltar a viver sem eletricidade e a deitar baldes de dejetos pela janela, e outras condicionantes da época. No entanto, a revolução industrial veio-nos tirar tanto como nos veio dar.

Ganhamos coisas. Muitas coisas. Ganhamos casas, carros, um estilo de vida mais confortável e com tudo acessível e pronto a consumir. Tirou-nos saúde (embora as técnicas de saúde estejam mais evoluídas, aquilo que é básico está a falhar). Tirou-nos do campo e trouxe-nos para a poluição das cidades.

O que podemos fazer?

Num mundo louco onde já nem se pode deixar os nossos filhos saírem à rua para brincar como nós fazíamos, onde as prateleiras dos supermercados estão repletas de alimentos que nos matam lentamente, é difícil encontrar razões para fazer diferente, para sairmos da norma e ousarmos voltar aos básicos.

É mais simples sobreviver, encontrar o tal trabalho das 9 às 6. Comprar uma casa e um carro, arranjar escolas xpto para as nossas crianças. Viver o dia-a-dia em modo zombie à espera de ganhar o Euromilhões para sair deste ciclo vicioso.

Vivi tantos anos assim, que consigo visualizar, sentir, experienciar novamente o que sentia quando começava o meu dia. A correr para o barco, para o metro, para o autocarro, para as reuniões, para o almoço, de volta para o autocarro, para o metro, para o barco, num ciclo que nunca acabava. Até dizer basta!

Que tal começar por nós?

O desemprego pode ser uma fatalidade, se tu assim o desejares. Ou pode ser uma oportunidade para repensares a tua vida. Para fazeres uma profunda análise interior e decidir o teu verdadeiro rumo nesta dimensão da tua realidade.

Começar pelo mais simples…. Começar por ti. De que forma podes mudar o teu mundo?

Vejo o futuro como uma fantástica pauta musical, limpa, e pronta para ser preenchida por melodias que só eu sei construir. Porque cada vida é uma pauta musical única e intransmissível.  Cada um tem de a preencher da forma que para si faz sentido.

E é assim, de peito aberto e a olhar o céu que decido que, para mim, o desemprego será uma oportunidade. Está a ser uma oportunidade de crescimento interior imenso. O futuro? Ainda não chegou, o presente é o que temos connosco em cada momento.

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Desemprego
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2 thoughts on “Desemprego

  • 30/05/2017 at 22:59
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    Adorei o teu artigo.
    Sempre achei que ficar no desemprego pode ser o motor de arranque para coisas boas.
    Estou portanto com muita curiosidade para ver o que aí vem 🙂
    Muitas felicidades e tudo a correr muito bem

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    • 01/06/2017 at 10:57
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      Eu também penso assim, mas a realidade é que é muito estranho quando passaste toda a tua vida adulta a trabalhar (ou a estudar para isso) e, de repente, te vês nessa situação. Daí a minha reflexão 🙂

      Reply

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